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GP STORICO D'ITALIA - PARTE 2


(07/07/2008)

Segundo dia: o desafio do circuito longo, misto com oval.

Monza voltou a encher de gente para o segundo dia de corrida no GP Storico d'Italia. Desta vez, o traçado escolhido seria não só a parte oval, mas também o traçado atual da pista milanesa, excluindo a primeira chicane. Isso significa, trocando em miúdos, que os pilotos da WTCC poderiam alcançar facilmente os 270 km/h no trecho mais veloz de cada volta, pouco antes de uma breve redução a 220 km/h para a grande curva. Diretamente proporcional à velocidade era o perigo desse ponto do circuito, algo que se comprovou na corrida mais importante do fim de semana.

Além dos oito pilotos do dia anterior, ainda deram o ar de sua graça os experientes Felipe Pegoraro, com um León pela Ricken Racing, e de última hora, Elmo Ellan, surpreendendo com um dos Lacetti usados pela TRD Furia na sexta-feira. Automaticamente se fez a inscrição do piloto na Ellan Racing, mesma equipe em que pilotou na temporada passada do campeonato Gallardo CBAV.

O desafio para Elmo era muito maior que para todos os outros pilotos: quase sem tempo para treinar, ele teria que fazer seu shakedown e entrar na disputa com segurança. Surpreendentemente, mantendo a tradição de sua pilotagem de alta qualidade, o piloto conseguiu superar o desafio e entrou no GP para vencer. Pegoraro, mais cauteloso, fez o que pôde para domar seu León no picadeiro, e até que não fez feio no treino que definiria o grid de largada, ao conquistar a terceira posição.

Aliás, muitos dormiram no treino de classificação, posto que cada volta duraria 3 minutos em média, e não daria tempo de voltar aos boxes para uma segunda tentativa antes da largada oficial. A melhor tática seria de duas voltas rápidas seguidas, algo que Renato Pereira sabiamente fez e foi brindado pela pole position. Ao seu lado, largaria Fernando Porteiro, ambos à frente de Gabryel Ribeiro (Alfa Romeo pela AS Brasil) e Victor Targino (já com o Seat León pela TRD Furia). O segundo colocado da corrida no traçado oval, Vinicius Gonçalves, decidiu fazer uma prova de recuperação, largando em penúltimo, apenas à frente de Felipe Pegoraro, que apesar da já citata terceira colocação no grid, acabou tendo problemas de conexão e foi para último.

A corrida começou com um atraso olímpico. Já na primeira volta, em um erro de Douglas Santana, foi dada bandeira vermelha e a prova, reiniciada. Foi quando começou o martírio que desgastou a todos os pilotos presentes, e após um sem-número de largadas falhas, caiu no colo de Gonçalves um problema de conexão que quase lhe tirou do evento. Seu destino seria marcado logo na primeira volta.

Quando finalmente as luzes se apagaram para a largada oficial, Renato Pereira já estava a uns 4 metros de sua posição inicial. Os sensores da pista não erraram em avisar que o piloto da Apple teria que pagar um pit through como punição. De qualquer forma, a liderança acabou indo para Fernando Porteiro na segunda parte do oval, logo reassumida por Pereira. Atrás, Vinicius vinha tentando recuperar posições, mas acabou sendo fechado por Pegoraro na saída do oval. Victor Targino também acabou se envolvendo na história e foi para a grama. Começava o drama da corrida.

Com a batida, não se sabe ao certo se os carros envolvidos ficaram tão avariados assim, mas pouco depois de Porteiro tomar um leve toque de Pereira por warp, que o fez passear na brita da grande curva, e de Elmo Ellan também sair completamente em direção ao muro, Felipe Pegoraro rodou a mais de 190 por hora nesse ponto do circuito. O que se viu depois foi um pandemônio, com a frenagem sem sucesso de Gonçalves, que depois alegou também ter o carro avariado - e por isso a perda de controle -, e que o levou para o muro na primeira chicane. Victor Targino não reduziu a tempo e destruiu a lateral do BMW atravessado, também recebendo um golpe duro de Porteiro, engavetado por Elmo Ellan. Gabryel Ribeiro também deu sua contribuição no ocorrido, e a verdade é que, com tão pouco tempo para reflexos, o desastre era inevitável. Pouco depois também vieram Andrei Targino e Douglas Santana, mas enquanto este desviava com o Alfa Romeo, Andrei não teve como evitar sua batida no carro da mesma equipe.

Depois de contar os sobreviventes, a primeira volta foi fechada com Pereira na liderança, Ribeiro em segundo lugar, Ellan em terceiro, seguido de Porteiro, Thiers (que quase não sofreu com as batidas da volta inicial), Pegoraro, Santana, Victor Targino e Andrei Targino. Vinicius Gonçalves abandonou a prova, cuspido marimbondos, triste por não ter tido a mesma sorte do dia anterior, e com toda a razão. Mas o show tinha que continuar, então Pereira tratou logo de abrir vantagem para perder o mínimo possível com sua punição. Ao deixar os pits, o piloto da Apple se viu em quarto, atrás de seu companheiro de equipe. A torcida não se continha em êxtase ao ver um novo líder na prova: Gabryel Ribeiro, seguido de perto por um guerreiro Elmo Ellan.

Mesmo com toda a garra, andar no limite é suscetível a erros, que acometeram os dois pilotos da ponta. Porteiro assumiu a liderança, e pouco depois a perdeu, com o carro seriamente avariado e sem alcançar a velocidade máxima normal. Nas mesmas condições estava Ellan, que voltou à primeira posição, perdendo-a pouco depois para Gabryel na Parabólica. A troca de posições na frente foi tanta que os 4 mais rápidos naquele momento não se decidiam quem encabeçaria a corrida, até que Pereira, tentando passar seu companheiro de equipe na grande curva, também sofreu com seu warp, e se viu aplicando um leve toque que o fez perder completamente a dianteira do 320si. Ribeiro assumia novamente a primeira colocação, e Porteiro quase perde o segundo posto para Ellan, que era visivelmente mais rápido nas curvas.

Depois dos pits, a decisão

A torcida ainda assistiu, boquiaberta, ao dramático acidente que quase destruiu o carro de Douglas Santana, após uma dura capotagem. O piloto quase destruiu o carro, mas ainda conseguiu levá-lo até o final. Enquanto isso, Fernando Porteiro foi o primeiro a parar nos boxes, depois de outro passeio pela brita na grande curva, seguido de Andrei Targino, que estava no extremo oposto da prova. Sem o erro do dia anterior, a equipe Apple apenas reabasteceu seus dois carros. Pereira levou a melhor, depois de ir para o pit lane junto com Ribeiro, e assumindo a liderança. Depois disso, a equipe apenas comunicou aos seus dois pilotos que a situação de "dobradinha" era praticamente inevitável, e ambos controlaram seus ritmos, ainda que andando bastante forte. A disputa mesmo ficou para as outras posições, com Pegoraro, Thiers, Ribeiro e Ellan disputando volta a volta quem iria para o pódio.

Elmo era visivelmente o mais rápido deles, e aproveitou toda sua habilidade para voar com seu Lacetti rumo ao terceiro posto. A indecisão ficaria, então, por conta de Gabryel Ribeiro, Felipe Pegoraro e Rodrigo Thiers. O piloto da MKR conseguiu importantes ultrapassagens, e ainda chegou a ameaçar a colocação do Alfa Romeo de Ribeiro, mas o quarto lugar ficou sendo do piloto da AS Brasil. Mais atrás, Victor Targino e Douglas Santana se seguravam para não chegarem na penúltima posição, com vantagem para o chofer da TRD Furia. Andrei não teve a mesma sorte, e andou atrás o tempo todo, desfrutando o evento histórico com o prazer de dirigir em alta velocidade, apenas não tão alta a ponto de alcançar o segundo piloto da AS.

Com uma boa vantagem, Renato Pereira conquistou brilhantemente a corrida mais importante do fim de semana em Monza, fazendo dupla com seu companheiro de equipe, Fernando Porteiro. Elmo Ellan foi muito aplaudido por seu desempenho, um terceiro lugar vitorioso, considerando que o piloto só se inscreveu minutos antes do começo oficial do grande prêmio de sábado. No pódio, muito champagne e festa para a dupla da Apple e seus carros BMW 320si, visivelmente os vencedores do GP Storico d'Italia, somando os resultados nos circuitos oval e completo. Duas vitórias, uma para cada piloto, com direito a dobradinha, em um desempenho admirável. Quase tanto como o terceiro lugar de Elmo Ellan, e suas disputas com o quarto colocado, Gabryel Ribeiro. Completaram assim a prova o restante dos pilotos: Rodrigo Thiers (a apenas 2 segundos de Ribeiro), Felipe Pegoraro (por sua vez 3 segundos atrás de Thiers), Victor Targino, Douglas Santana e Andrei Targino. O último lugar ficou para Vinicius Gonçalves, pelo abandono no inicio do GP.

E assim foi a segunda edição desse evento que reuniu, uma vez mais, os pilotos do automobilismo virtual brasileiro, pela CBAV. No fim das contas, vencedores são todos os 10 que participaram, sem medo da derrota, do fim de semana de velocidade neste começo de julho. Agora é aguardar o próximo evento com os carros da WTCC, em uma outra corrida que pode ser prévia do futuro campeonato online de rFactor na CBAV.

Parabéns a todos os participantes! Até a próxima.

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