
(11/08/2008)
Nunca se viu tantos pilotos neste campeonato como no evento de Le Mans, realizado nos dias 8 e 9 de agosto deste ano. No total, mais de 15 pilotos estiveram presentes no histórico circuito francês, em dois dias que reuniram desde máquinas do passado até os potentes carros do WTCC atual, passando por veículos de rua inclusive. O primeiro dia foi apelidado de "Corrida Maluca", por ter aberta a inscrição de qualquer bólido. Já o segundo foi mais sério, marcado pela presença dos carros de competição turismo.
O primeiro dia foi marcado pelos problemas: por causa de uma falha da administração do evento, muitos pilotos não conseguiam entrar na pista para correr. Seriam 18 os presentes, mas dois não conseguiram se acertar a tempo. Douglas Santana (Senna Racing) e Felipe Pegoraro (VG Motorsports) desfalcaram o elenco, mas ainda assim o M-Factor conseguiu um recorde de pilotos com seus 16 presentes.
Largando na pole position com o tempo de 4m09.380s, Vinicius Gonçalves (VG Motorsports) começou bem a primeira bateria, a bordo de um BMW M3 de 1987, que aliás foi um dos carros mais usados no evento. Era clara a superioridade frente a outros modelos. Gabryel Ribeiro (Senna Racing) largou em segundo, também com um M3 1987, seguido de Huggo Aquino (Penske), que dirigia um Chevrolet Lacetti. Bruno Soares (MKR-Hellclife) tentou correr com um Mini Cooper, abandonando rapidamente a idéia ao ver que seu carro não dava nem pra ir à feira.
Sem dúvida, o motor mais potente da primeira bateria pertencia ao BMW M3 versão 2007 de Fernando Porteiro (Apple Racing). Único problema? A versão do carro. De rua, sem nenhuma alteração para ter vantagem em circuito, apesar de seus 420 cavalos! Ainda assim, marcou 4m23.382s, atrás de Rafael Zaccaro (Secret Herbs - Seat Leon) e Luis Mesquita (Secret Herbs - Alfa Romeo 156 GTA), e à frente de seu companheiro de equipe, Renato Pereira (BMW 320i e46). De Bhruno Miranda (Penske - Chevrolet Lacetti) para trás, nenhum piloto conseguiu completar a volta no treino de classificação.
O agravante da largada, como sempre, foi a curva 1. Passados alguns toques e acidentes, os carros que foram ficando para trás fizeram de tudo para recuperar posições, que claro, foram perdidas um minuto depois, ao final da longa reta de Mans. Vários acidentes foram vistos naquela curva, onde os pilotos esqueciam de reduzir a 60 os seus mais de 270 km/h. Mesmo assim, ninguém desistiu, nem mesmo Rodrigo Thiers (MKR), que acabou em penúltimo, à frente de Huggo Aquino e atrás de Bruno Soares.
Wilson Martins também sofreu para segurar o Alfa 156 anotado pela Ligier Automobiles. Ele ainda pensou que tivesse chances de passar Henry Miranda (Maserati - BMW M3 1987) na última hora, porém seus erros impediram qualquer progresso. Outro estreante da categoria que poderia ter chegado entre os oito primeiros foi Luis Mesquita, mas da quinta acabou caindo para a décima posição, depois de Porteiro.
Os oito primeiros da bateria 1 foram: Renato Pereira (que também marcou volta rápida em 4m08.413s), Vinicius Gonçalves, Mauricio Panda (estreando pela Panda Motors com um M3 1987), Rafael Zaccaro, Bhurno Miranda, Rafael "Professor" Xavier (bem diferente de seu companheiro da equipe Ligier), Felipe Sikansi (que voltou às pistas em grande estilo, com um 320i e46 pela Panda) e Gabryel Ribeiro, piloto do M-Factor Gallardo que apostou no Alfa Romeo 75 de 1987 na 2ª bateria, já que largaria na pole position.
Segunda bateria: dominio dos clássicos
Após a comemoração da Apple Racing Team com a vitória de Renato Pereira, os pilotos tiveram 10 minutos para descansar. Thiago Zanoni conseguiu botar seu carro pela equipe Poaserver Racing, apesar de que a corrida não duraria muito para o estreante. Os pilotos foram para a largada e Gabryel aproveitou para abrir na liderança, seguido de Mauricio Panda e Vinicius Gonçalves. Rafael Xavier logo caiu algumas posições, mas com os acidentes das primeiras voltas conseguiu se recuperar. Fernando Porteiro aproveitou para verificar que os cotocos instalados nas duas últimas chicanes do circuito são realmente resistentes, e praticamente destruiu seu M3 dourado, dessa vez na versão 1987.
As disputas intermediárias não cessavam: na longa reta de Le Mans, os pilotos se revezavam em altíssima velocidade, em ultrapassagens algumas vezes até arriscadas. Numa das tentativas, Bhruno Miranda e Thiago Zanoni se tocaram, e os dois carros acabaram batendo forte contra o guard-rail. Nada de grave com nenhum dos pilotos, que sairam de seus carros discutindo, mas decidiram calar quando viram que teriam que compartilhar o mesmo carrinho de golf do ponto onde estavam até os boxes.
Na regra do grid invertido, o oitavo lugar saiu em primeiro na bateria final da corrida maluca e acabou ganhando. Gabryel Ribeiro teve uma leve vantagem de 0.7 segundos a Mauricio Panda, que tinha largado em sexto. Felipe Sikansi não soube aproveitar sua segunda posição no grid e acabou sétimo. Já Rafael Xavier largou em terceiro e acabou quarto, atrás de Vinicius Gonçalves. Fernando Porteiro ainda tentou ultrapassá-lo no final, mas o M3 estava sem condições de brigar com o Alfa de 2007. Huggo Aquino foi o sexto lugar, à frente de Sikansi. Só outros dois pilotos mais completaram a prova: Luis Mesquita em oitavo e Rodrigo Thiers em nono.
O vencedor da primeira bateria, Renato Pereira, acabou com o carro e incrementando o prejuízo da Apple, assim como Bruno Soares, Henry Miranda, Bhruno Miranda e Thiago Zanoni. Wilson Martins tampouco conseguiu completar a prova, além de Rafael Zaccaro. De qualquer forma, muita festa no pódio e comemorações diversas no paddock, celebrando o grande sucesso do primeiro dia desse evento.
Sábado, o dia sério
Com um pouco de ressaca do dia anterior, 18 participantes quebraram outra vez o recorde de pilotos em uma prova do M-Factor. Bruno Soares não apareceu pela MKR - já começou (risos) -, enquanto Felipe Pegoraro (VG) e Douglas Santana (Senna) conseguiram finalmente entrar na pista! Para a segunda corrida do evento, só carros oficiais do WTCC poderiam correr. Ironia ou não, houve uma presença em massa de BMWs, o que acabou desapontando alguns fãs do automobilismo.
Mas não tem problema: os fãs da BMW estavam contentíssimos, e mais contente ficou Mauricio Panda quando descobriu que tinha feito a pole position, marcando 4m08.822s com um BMW 320i e46. Para os demais, só restou o medo: tantos carros na pista, e aquela famosa primeira curva poderia limar vários já no começo.
Contudo, a largada foi tranqüila, apesar de emocionante. Carros foram parar na grama, Bhruno Miranda se recuperou da punição que levou por discutir com Thiago Zanoni no dia anterior (largou em penúltimo), Rafael Xavier também saltou várias posições, enquanto alguns pilotos tiveram que se contentar em recuperar os lugares perdidos. O vácuo na famosa reta do circuito era descomunal, e claro, dureza era parar esses carros. Que o diga Victor Targino, recém-chegado ao evento pela TRD Camembert junto com seu pai, Andrei Targino. Victor acabou errando uma frenagem e tirou Porteiro da corrida, na mal-falada curva ao final da never-ending reta.
Outros pilotos tiveram batidas, como Zanoni que andou no Seat "Darth Vader" e Douglas Santana com um Alfa "refrescado", já que não possuía capô do motor, retirado nos boxes após um acidente. Panda foi o mais seguro de si, dominando a prova e vencendo. Zaccaro acabou mais de 5 segundos atrás, seguido de Bhruno Miranda. O pole da próxima corrida seria o oitavo lugar, Vinícius Gonçalves, que largaria com Felipe Sikansi ao seu lado. Miranda decidiu sair na última posição, junto com Rodrigo Thiers e Rogério de Oliveira (Oliveira's Racing).
Na segunda bateria, largada tranqüila e recuperação de alguns pilotos que estavam atrás. Entretanto, Aquino errou a frenagem da "curva assassina" e acertou em cheio o 320i de Mauricio Panda, que perdeu as chances de uma segunda vitória no sábado. Porteiro também foi acertado e perdeu controle do carro, levando consigo a Xavier e um outro carro não identificado no meio de tanta fumaça. A liderança ficou em jogo entre Gonçalves, Zaccaro e Pereira, antes que chegassem também Bhruno Miranda e Gabryel Ribeiro. Este acabou errando e caindo para o sexto lugar.
Muitas desistências marcaram a última corrida do WTCC au Le Mans, como as dos Felipes (Sikansi e Pegoraro), de Andrei Targino, Luis Mesquita e Rodrigo Thiers. Douglas Santana e Thiago Zanoni mais uma vez tiveram avarias nos carros, mas conseguiram completar com bravura. Por 8 segundos Rogério de Oliveira não foi o oitavo, posto que ficou com Victor Targino. Fernando Porteiro foi o sétimo, sem ver a disputa entre Panda e Miranda pelo quinto lugar, vencida pelo piloto da Penske. Mas o que levantou mesmo a torcida foi a briga pela vitória.
Zaccaro liderava a prova sob pressão de Pereira, enquanto Gonçalves também esperava uma chance de vitória na segunda bateria. Os pilotos faziam parciais rápidas sem fim, e nas últimas curvas da corrida, Pereira acabou errando e perdendo a segunda colocação. Rafael Zaccaro venceu, seguido de Vinícius Gonçalves. Com tantas trocas de posições a organização ainda não sabe se foi Renato ou Gabryel quem marcou a volta mais rápida da prova final, mas quem festejou por último no evento foram realmente Rafael e a equipe Secret Herbs, vencedores do evento na classificação geral do sábado.
Confira abaixo a pontuação em Le Mans:
Pos |
Piloto |
Equipe |
Bateria 1 |
Bateria 2 |
Pontuação |
| 1 | Rafael Zaccaro | Secret Herbs Racing | 17 |
20 |
37 PONTOS |
| 2 | Renato Pereira | Apple Racing Team | 12 |
15 |
25 PONTOS |
| 3 | Bhruno Miranda | Team Penske | 15 |
12 |
25 PONTOS |
| 4 | Mauricio Panda | Panda Motors | 20 |
1 |
21 PONTOS |
| 5 | Vinicius Gonçalves | VG Motorsports | 2 |
17 |
19 PONTOS |
| 6 | Gabryel Ribeiro | Senna Racing | 8 |
8 |
16 PONTOS |
| 7 | Huggo Aquino | Team Penske | 10 |
1 |
11 PONTOS |
| 8 | Felipe Sikansi | Panda Motors | 5 |
1 |
6 PONTOS |
| 9 | Fernando Porteiro | Apple Racing Team | 1 |
5 |
6 PONTOS |
| 10 | Victor Targino | TDR Camembert | 1 |
2 |
3 PONTOS |
| 11 | Rogério de Oliveira | Oliveira Racing | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 12 | Douglas Santana | Senna Racing | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 13 | Thiago Zanoni | Poaserver Racing | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 14 | Felipe Pegoraro | VG Motorsports | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 15 | Luis Mesquita | Secret Herbs Racing | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 16 | Rodrigo Thiers | MKR-Hellclife | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 17 | Andrei Targino | TDR Camembert | 1 |
1 |
2 PONTOS |
E a clasificação final por equipes:
Pos |
Equipe |
Bateria 1 |
Bateria 2 |
Pontuação |
| 1 | Secret Herbs Racing | 18 |
21 |
39 PONTOS |
| 2 | Apple Racing Team | 13 |
20 |
33 PONTOS |
| 3 | Team Penske | 16 |
13 |
29 PONTOS |
| 4 | Panda Motors | 25 |
2 |
27 PONTOS |
| 5 | VG Motorsports | 3 |
18 |
21 PONTOS |
| 6 | Senna Racing | 9 |
9 |
18 PONTOS |
| 7 | TDR Camembert | 2 |
3 |
5 PONTOS |
| 8 | MKR-Hellclife | 1 |
1 |
2 PONTOS |
| 9 | Poaserver Racing | 1 |
1 |
2 PONTOS |
O WTCC au Le Mans foi realmente um sucesso. Próxima parada: possivelmente Interlagos, utilizando o traçado pré-anos 90 do autódromo paulistano. O "Desafio WTCC é do Brasil" ainda está em vias de negociação, sendo bastante provável que, no sábado dia 13 de setembro, tenhamos outro encontro marcado, mais um antes do início oficial da temporada. Mais um mês de expectativas.
A organização da CBAV e do M-Factor agradecem a todos os participantes que estiveram em Le Mans no último fim de semana.
Até mais!
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