
(21/09/2008)
Depois de muitos testes, finalmente a quarta temporada começa, abrindo o campeonato WTCC no circuito brasileiro de Interlagos, em São Paulo. O que se viu foi algo inesquecível para o campeonato: todas as marcas inscritas participaram da prova de abertura, com um máximo de 25 pilotos - na segunda bateria -, superando todas as expectativas. Quem dominou foi a Skyline com seus carros SEAT León.
Sábado já tinha ficado claro que os carros da SEAT viriam para dominar a etapa, mas ainda assim outras equipes não deixaram por menos. Alfa Romeo teve um ótimo desempenho nas mãos da equipe Panda Motors, sem contar a surpresa da Ghost Racer, também com o carro italiano. Por outro lado, Peugeot e BMW sofreram para mostrar serviço, e a marca alemã ainda perdeu forças com a mudança da VG Motorsport para a SEAT. Quem arrancou aplausos pela presença inesperada foi Francisco Amaral, na Baguete Hellcife junto com Bruno Soares. A equipe-surpresa é a única representante da Peugeot.
Os japoneses também têm representação no WTCC, com o modelo Accord da Honda empurrando a Green Flag Racing, de Luis Mesquita e Rafael Zaccaro. Na última hora, ainda apareceram as equipes Gaúchos da Fronteira, com Bernd Tuxhorn, e Byron Singular Racing, liderada por Samuel Byron. Os dois times vão representar a BMW, e apresentarão equipe completa na segunda etapa. Mesmo fato na FHweb Racing, de Felipe Sikansi, também aumentando os carros bávaros na pista.
No domingo, 24 pilotos se apresentaram na primeira bateria. Após alguns problemas com o servidor, no entanto, um dos tempos não ficou registrado, e para piorar, entre o qualifying e a primeira corrida três pilotos ficaram sem conexão: Luis Mesquita (Green Flag), Samuel Byron (Byron Singular) e Marcus Vinicius (Hard Crew). O mais rápido de todos foi um surpreendente Ernesto Brock, com a volta de 1m43.995s a bordo do SEAT da Thunderbolt. Ao seu lado, Bhruno Miranda, da MKR, colocou o Chevrolet Lacetti, com uma diferença de 295 milésimos. Aliás, domingo o Lacetti ganhou mais um apelido: Celta.
Confira aqui os tempos da sessão que definiu as posições no grid de largada.
Na segunda fila estavam Renato Pereira, da Apple Racing Team, e o João Petry, da Skyline. Falando em Apple e só por constar, o campeão da temporada passada, Mac Porteiro, conseguiu apenas o décimo-terceiro lugar no grid. Aliás, Pereira foi o melhor dos BMW durante todo o evento. A hegemonia da Apple Racing parece ter acabado junto com os Gallardo.
A largada para a primeira bateria foi tranqüila, como sempre, até chegar a primeira curva, logo o S do Senna, que não é dos melhores locais para se expor 4 carros lado a lado, em movimento, e o mais agravante, um movimento com velocidade superior a 80km/h em curva. O resultado disso só poderia ser uma soma de toques e pequenos acidentes que marcaria também a segunda bateria, mas o primeiro afetado foi Mac Porteiro - como se as coisas já não andassem ruins para o bi-campeão.
Guile Pedroso aplica o primeiro hadouken da prova, sobre Mac Porteiro
Renato Pereira aproveitou a vantagem da tração traseira do BMW na largada para saltar na liderança, conseguindo respirar sem a pressão de Brock por algum tempo. Bhruno Miranda tentou não sucumbir aos dois carros da Skyline que vinham atrás, mas João Petry o passou antes que a primeira volta fosse completada. Eduardo Bonilha também tentou avançar, só que Mauricio Panda era a sombra ameaçadora em seus retrovisores, com o Alfa Romeo da Panda Motors. Bernd Tuxhorn (Gaúchos da Fronteira) também fez bonito com seu BMW e tratou de perseguir Alessandro Monteiro (Ghost). Rafael Zaccaro e Vinícius Gonçalves já começavam a perder contato com os mais rápidos antes mesmo que Ernesto Brock assumisse a liderança da prova.
PIlotos se preparam para a curva do Laranjinha
Rogério de Oliveira não fez feio, trazendo o Lacetti da Oliveira Racing com muita vontade à frente de pilotos com mais experiência. E falando em Lacetti, se Bhruno Miranda disputava as posições dianteiras, o mesmo não pode ser dito de Rodrigo Thiers: o outro MKR esbravejava para não ser ultrapassado por Reges Filho e Thiago Zanoni (Zanoni - SEAT), além de ter que agüentar as investidas de Felipe Sikansi (FHweb - BMW) e Elmo Ellan (Oliveira - Chevrolet), ao qual não resistiu por muito tempo. Mais para trás foram ficando os dois Peugeot 407 da Baguete Hellcife, de Bruno Soares e Francisco Amaral, enquanto Carlos Schmitt (Hard Crew) e Douglas Santana (Senna Racing) decidiam quem tunava mais o Alfa Romeo de quem. Está em tempo ainda de dizer que essa disputa terminou empatada, mas Douglas acabou a corrida na frente de Carlos, uma sorte que Thiago Zanoni não teve, por abandonar a prova na 7ª volta.
Alguns pilotos ainda esboçaram reação durante a prova, mas quem levou a melhor mesmo foi Ernesto Brock, vencendo a primeira corrida com apenas 2 segundos de vantagem para João Petry, que marcou a volta mais rápida. Renato Pereira fechou o pódio, seguido de Bhruno Miranda, Alessandro Monteiro, Eduardo Bonilha e Mauricio Panda. Rafael Zaccaro foi o oitavo, o que lhe garantiu a pole position para a segunda bateria, algo muito desejado por Bernd Tuxhorn, mas o "gaúcho da fronteira" acabou amargando a nona colocação. Para a segunda bateria, entrou Luis Mesquita, o segundo Honda Accord presente.

Reges Filho viu de camarote como não se fazer a curva...
Novamente os BMW sairam com mais força quando o semáforo vermelho se apagou pela segunda vez no grande prêmio. Panda tentou defender a liderança dos ataques de Pereira e Monteiro, enquanto Zaccaro ia perdendo a pole para todos os carros, inclusive os de Brock e Petry. Bonilha largou mal e ficou para trás no grid, e Elmo Ellan largou tão bem quanto Tuxhorn e Gonçalves. Thiers e Miranda foram as bolas da vez no S do Senna, esquecendo por alguns segundos que eram da mesma equipe. Com Thiers atravessado, seu companheiro na MKR não conseguiu evitar acertá-lo no meio do carro, com toda a pressão dos pilotos da Zanoni e da FHweb. Quase que Santana não desvia seu Alfa, e Amaral teve que se esforçar para evitar os pedaços de Chevrolet que ficaram pela pista, incluindo um pára-choque traseiro.
Elmo Ellan seguia um bom ritmo, mesmo pressionado por Renato Pereira, que havia perdido posições após um erro. Atrás dele, o outro carro da Apple, com Mac Porteiro tentando acelerar tudo para evitar os ataques de Eduardo Bonilha. Era impossível: o SEAT saía melhor em todas as curvas, e depois de duas voltas conseguiu a posição de Porteiro. Entretanto, Pereira já tinha uma boa vantagem em relação aos dois nesse momento, algo que melhorou com a quebra de Ellan na última volta. Rafael Zaccaro continuou lutando para não perder posições e fez uma importante corrida para a Green Flag. Já Luis Mesquita tentava não cair da 15ª posição com as investidas de Francisco Amaral e Felipe Sikansi.

Largada da segunda bateria

Um Chevrolet sai ileso, dois não

Imagem das disputas na reta oposta, com a pista cheia de carros

Guile Pedroso erra o outro hadouken e acaba complicando a vida de Gonçalves. Bonilha e Tuxhorn têm que contar com a sorte para não serem afetados, enquanto Porteiro escapa pela grama
João Petry assumiu a liderança e foi seguido de perto por Ernesto Brock, mas quem realmente ameaçava os dois carros era Alessandro Monteiro, dando show em Interlagos além de marcar a volta mais rápida com seu Alfa 156. Mauricio Panda também tentou chegar nos ponteiros, mas a diferença de tempos só aumentava a cada giro pelo circuito. Pouco mais atrás, Pereira e Zaccaro travavam uma boa luta pelo quinto lugar, o que trouxe Bonilha para o bolo e garantiu a incerteza de quem terminava onde até o final.
Nas últimas colocações, Schmitt e Santana continuavam com a disputa do "carro mais amassado", que quase sobrou para Bruno Soares. Por pouco eles não levam uma volta dos líderes, mais precisamente de João Petry, que conseguiu levantar o caneco com quase 3 segundos de vantagem para Brock, segundo colocado. Por pouco não foi o terceiro, pois Monteiro acabou a apenas 1 décimo de segundo do piloto da Thunderbolt. Festa na Skyline, e champagne para os dois pilotos líderes do campeonato no segundo pódio do domingo. Monteiro também celebrou bastante o resultado da Ghost Racer.
Foi uma corrida sensacional, com muitas disputas por posições, acidentes que não tiraram o sono de ninguém, mas que apenas somaram ao espetáculo um pouco mais de emoção. Todos os ingredientes que uma corrida tem que ter, presentes na abertura da quarta temporada do M-Factor. Skyline é a equipe líder no momento, com a Thunderbolt já um pouco longe. Brock e Petry dividem a frente na tabela de pilotos, enquanto Pereira e Monteiro quase dividem a terceira colocação.

Os vencedores da segunda bateria
Os pilotos agora se preparam para deixar o Brasil, depois de duas corridas seguidas em Interlagos, para a segunda etapa no circuito inglês de Brands Hatch. Os altos e baixos da pista poderão favorecer os carros mais potentes, mas sem dúvida as curvas de alta velocidade serão domadas facilmente pelos SEAT. Contudo, dependendo do número de participantes no segundo GP da temporada, a história pode se complicar bastante. Será que com a estréia de TRD, Byron e Ligier no circuito britânico, teremos mais de 25 carros nas duas baterias que estão por vir?
Saberemos dia 5 de outubro. Até mais!
Clique aqui para ver o resultado do qualifying.
Clique aqui para ver o resultado da primeira bateria.
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