
(18/10/2008)
O circuito inglês de Brands Hatch voltou ao calendário do M-Factor com outro recorde de participações. Mesmo com tantos carros, quase não houve acidentes na primeira bateria, e na segunda os problemas realmente só ocorreram nas duas primeiras voltas. Durante todo o fim de semana, Alessandro Monteiro foi o mais rápido, vencendo a primeira bateria e chegando em quarto na seguinte. A SEAT mais uma vez despontou como a marca de melhor rendimento no GP, através de suas equipes Skyline e Thunderbolt.
Durante os treinos de classificação para definir o grid de largada, João Petry (Skyline) acabou marcando o melhor tempo, de 1m33.675, dois décimos menos que Monteiro (Ghost). Os vinte e nove carros seguiram para a primeira bateria onde Renato Pereira (Apple) fez a volta mais rápida, 1m33.838, durante a perseguição a Petry nas primeiras voltas. O resultado foi bastante apertado, com uma diferença de apenas 1 segundo entre os três pilotos do pódio! Monteiro levou a melhor, seguido de Petry e Pereira.
Confira aqui os tempos da sessão que definiu as posições no grid de largada.
Em uma outra dimensão, Ernesto Brock (Thunderbolt) e Bernd Tuxhorn (Gaúchos da Fronteira) também protagonizaram disputas que terminaram com o SEAT em quarto. Atrás do BMW de Tuxhorn terminaram Vinícius Gonçalves (VG), Eduardo Bonilha (Skyline) e o pole da segunda bateria, Bhruno Miranda (MKR). Apesar de ter impressionado em todos os treinos, Plínio Ferreira (FHweb) ficou com o gostinho do quase, em nono, dois segundos melhor que o estreante Andrei Fonseca, trazendo pela primeira vez a TRD ao campeonato. Contudo, para A1 Ring o piloto fará dupla com Douglas Santana, na Senna, que não participou desta etapa e deu lugar a Luciano Souza, piloto de qualidade, mas que terminou em 21º e fará dupla com Mauricio Panda (Panda) na próxima etapa.
Falando em ursos asiáticos, Panda foi apenas o 12º em um dia de maus resultados para sua equipe, atrás de Rafael Zaccaro (Green Flag). Este começou bem a prova, mas acabou atrás dos 10 primeiros. Rogério de Oliveira (Oliveira) fez outra boa corrida e foi o 13º, seguido de Felipe Pegoraro, que ressurgiu das cinzas e inscreveu o segundo VG em Brands. Mac Porteiro (Apple) não foi nem sombra de seu companheiro de equipe, acabando na posição 15, à frente de Marcus Vinicius (Hard Crew) e Rodrigo Thiers (MKR). Rodrigo Lacerda (Gaúchos da Fronteira) também começou andando bem, mas acabou 18º.
Por muitas voltas Reges Filho (Zanoni) teve que agüentar a pressão de mais um rookie, Thomaz Aragão, que ocupou o outro Alfa Romeo da Senna Racing. Reges acabou levando a melhor. Em 22º lugar Samuel Byron fez sua verdadeira estréia no WTCC M-Factor, com mais um BMW, à frente de Carlos Schmitt (Hard Crew), Felipe Sikansi (FHweb) e Francisco Amaral (Baguete). Johannes Milchert (Rock 'n Roll) abandonou a 3 voltas do fim, e os outros dois pilotos com problemas foram Daniel Locatelli, com um carro da TRD, e Bruno Soares, da Baguete. Ricardo Nunes teve problemas para largar e não conseguiu colocar o carro no grid a tempo, desfalcando a Thunderbolt.
Na segunda bateria, problemas para Johannes Milchert e Samuel Byron acabaram reduzindo o número de pilotos a 27, o que não evitou um acidente forte na largada entre Mauricio Panda, Felipe Pegoraro, Mac Porteiro e Plinio Ferreira, que levou a pior. Bhruno Miranda tratou de atacar o quanto pôde no início, passando João Petry e pressionando Alessandro Monteiro e Bernd Tuxhorn. Vinícius Gonçalves se lançou atrás dos outros SEAT de Brock e Bonilha, mas Miranda acabou ficando depois de um toque com Tuxhorn na última curva. Parecia um aviso do que estava por vir.
Início dos acidentes múltiplos na última curva
Andrei Fonseca defendia sua posição contra Renato Pereira, que no final da reta antecessora aos boxes acabou freando muito próximo da grama. No último instante, quando a roda traseira do BMW tocou a área externa da pista, um abraço: Pereira perdeu completo controle do carro e girou. Ao deixar o carro voltar para a pista, outros quatro vinham atrás. Panda conseguiu desviar, mas Porteiro não teve outra saída e encheu a lateral do veículo de seu companheiro de equipe. Zaccaro não teve tempo de frear e também acabou tocando um dos carros. Rogério de Oliveira tentou desviar e os Alfa Romeos que vinham atrás acabaram perdendo o controle, com Luciano Souza indo para a brita. Não terminou ainda.
Quando tudo parecia já terminado, Lacerda chegou disputando com Nunes e entrou demais na curva, acertando Porteiro. Thiers vinha atrás sem saber do que acontecia, tendo que esquivar pela grama e depois brita para não acertar Pereira, que não sabia se voltava à pista ou se recebia Reges Filho na sua carenagem. O desastre total para a BMW não havia terminado: Sikansi, que se deparou com Lacerda em direção contrária, acabou enchendo a dianteira deste. Plinio Ferreira deu o golpe final acertando o carro de seu companheiro de equipe, e lá estavam 5 BMW despedaçados pelo circuito de Brands Hatch. Nenhum dos pilotos que viu a bandeira amarela ser agitada levantou o pé antes da curva, e claro, ainda teve Marcus Vinicius e Pegoraro indo pela grama, Soares na terra...
Continuação do pandemônio
Mac Porteiro aproveitou que a distância era pouca dali aos boxes e abandonou. Os demais continuaram na pista, do jeito que dava. Rogério de Oliveira acabou errando na volta seguinte e quase levou Ricardo Nunes com ele. Miranda seguia o vácuo de Fonseca, com Zaccaro no meio, em uma disputa que tinha tudo para adicionar emoções ao Grande Prêmio. Em um erro de Fonseca, os três carros perderam controle, mas Zaccaro conseguiu sair bem. Irritado por não conseguir passar o SEAT, Miranda resolveu decidir a disputa na base do ombro, como nas divididas do futebol. Só que depois de alguns empurrões claros, o piloto acabou fazendo Fonseca errar e errou também. A organização do M-Factor avaliou o incidente e acabou punindo Bhruno Miranda, que terá que largar em último no próximo GP que participe.
Daí para frente a coisa se acalmou. Lá na frente, Monteiro fez a volta mais rápida e só não baixou à casa dos 33 segundos porque tinha que passar por cima de Brock. A disputa estava sensacional, porém o piloto da Ghost Racers acabou errando a frenagem em uma curva e passou direto para a brita. Sorte que os tratores haviam pisado um pouco as áreas de escape na noite anterior, ou o Alfa Romeo teria ficado ali enganchado. Isso foi o suficiente para Bonilha e Petry montarem o trio de SEAT com Brock no pódio, voltas depois. Vinícius Gonçalves quase termina em quarto, pois Monteiro continuava errando, talvez pela ansiedade de um bom resultado e, depois, pela decepção de uma curva.

Alessandro Monteiro erra a curva e joga fora a chance das duas vitórias
A vitória acabou ficando mesmo com o Thunderbolt de Ernesto Brock, tendo ao seu lado no pódio Eduardo Bonilha e João Petry. Monteiro terminou em quarto, recuperando-se sobre Gonçalves, o quinto. Pereira ainda lutou muito para conquistar uma sexta posição com gosto de vitória, depois de passar Zaccaro e Nunes, pilotos que fecharam os oito primeiros colocados. Rodrigo Lacerda acabou em nono, seguido de Plinio Ferreira, Reges Filho, Andrei Fonseca, Rogério de Oliveira e Thomaz Aragão. Rodrigo Thiers foi o décimo-quinto, depois Marcus Vinicius, Luciano Souza, Francisco Amaral e Carlos Schmitt. Bruno Soares abandonou a 5 voltas do fim, Bernd Tuxhorn a 6. Pegoraro desistiu de lutar contra uma suspensão avariada na volta 7, duas depois dos abandonos de Maurício Panda e Daniel Locatelli. Miranda deixou a pista quando bateu com Fonseca, enquanto Sikansi e Porteiro o fizeram na seqüência de acidentes do começo da prova.
No pódio, festa para os pilotos da SEAT, pois quem ri por último ri melhor. Os campeonatos estão acirrados, tendo Petry e Brock com apenas um ponto de diferença na frente do mundial de pilotos, enquanto a Skyline tem quase 30 pontos de vantagem sobre a Thunderbolt. Próxima etapa: A1 Ring, pista simples, veloz, com curvas onde muitas ultrapassagens podem acontecer, assim como muitos acidentes.
Todos rumo a Áustria. Até mais!
Clique aqui para ver o resultado do qualifying.
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