(20/10/2008)
Alessandro Monteiro chegou ao circuito de A1 Ring como favorito à vitória, mas ninguém esperava que esse favoritismo fosse duplo. Na terceira etapa do M-Factor WTCC, o piloto da Ghost Racers fez a pole position, a volta mais rápida de cada bateria e ainda as venceu, a primeira sem muita dificuldade, mas a segunda tendo que travar uma linda disputa com o Skyline de João Petry, que não vendeu o primeiro posto tão fácil.
Nos 7 minutos para definir o grid de largada, Petry ficou boa parte do tempo na pole, depois de baixar o tempo de Renato Pereira (Apple). Entretanto, as voltas finais de Monteiro foram muito rápidas e ele acabou saindo na frente com 1m41.104, apenas 169 milésimos mais rápido que Petry. Ernesto Brock foi o terceiro melhor, último piloto na casa de 41 segundos. Rodrigo Lacerda (Gaúchos da Fronteira) foi o mais lento, com 1m46.710. Johannes Milchert (Rock 'n Roll Racing) não chegou a tempo e largou em último na primeira bateria.
Confira aqui os tempos da sessão que definiu as posições no grid de largada.
O começo da prova foi bastante tranqüilo. Os BMW mais uma vez tiveram uma largada sensacional: Mac Porteiro (Apple) saiu da 15ª para a 9ª colocação, mas foi ultrapassado pelo Alfa Romeo de Luciano Souza (Panda). Atrás deles, Carlos Schmitt (Hard Crew) pressionava, mas também recebia os ataques de Vinícius Gonçalves (VG) e Bernd Tuxhorn (Gaúchos). Monteiro disparou na liderança, com Petry e Pereira na cola. Pouco depois, Brock (Thunderbolt) ganharia a terceira posição, e seu companheiro de equipe, Ricardo Nunes, também se recuperou do trauma de Brands Hatch conquistando o quarto lugar. Pereira acabaria em quinto, mas até a volta 9 de 12 não se sabia quem seria o sexto.
Porteiro atacava Souza por todos os lados, mas era impossível passar o Alfa. Aproveitando a situação, Tuxhorn se aproximou dos dois e o pega esquentou. Mac assumiu o lugar de Luciano, que começou a defender-se do outro BMW. Rafael Zaccaro (Green Flag) conseguiu recuperar o tempo perdido e, em um erro dos três à sua frente, deixou um abraço e partiu para a sexta colocação. Tuxhorn ficou em sétimo, enquanto Souza comemorava a pole position da segunda bateria. O nono lugar... passemos ao décimo, melhor.
Um dos pilotos que teve bom desempenho e pouca sorte foram Reges Filho (Zanoni). No fim da prova ele foi o décimo e não teve que se preocupar com Lacerda, apesar da sua recuperação de nove posições até o fim do GP. Milchert saiu em último e foi o décimo-segundo, suando para não deixar Douglas Santana (Senna Racing) passar, já que ele trazia consigo Carlos Schmitt e Francisco Amaral (Baguete). Aliás, o piloto da Peugeot mostrou uma grande evolução na terceira etapa, apesar de ainda falar o que não deve pelo paddock.
Os dois pilotos que abandonaram na décima volta foram Ronie Pereira (Ghost), estreando finalmente e acertando Vinícius Gonçalves de leve na volta 2; e Luis Mesquita (Green Flag), que depois de bater no muro interno da última curva não teve mais o carro como queria. O último a completar a prova, com uma volta menos e uma parada nos boxes, foi Gonçalves, tendo à frente ainda Marcus Vinicius (Hard Crew) em 16º, Wilson Neto (Ligier) que chegou a estar em 11º, mas acabou perdendo o carro em uma disputa com Lacerda e caindo para 17º na brita, e Rogério de Oliveira (Oliveira), que não repetiu o bom desempenho das outras etapas e foi só décimo-oitavo.
Pouco depois do incidente com Ronie Pereira, Vini Gonçalves se viu preso entre vários carros
O intervalo entre as duas baterias foi caótico. O servidor começou a derrubar os pilotos, e a qualidade da conexão foi para o espaço em questão de segundos. O domingo austríaco seria bastante prejudicado já por esse incidente, mas somado a isso ainda houve um grande atraso para a largada, que não podia ser realizada com segurança nas condições apresentadas. Depois de muita espera e a entrada de Plinio Ferreira (FHweb), 22 carros partiram para a bateria problemática.
Luciano Souza pôde desfrutar da pole position por alguns segundos, até perdê-la para os foguetes BMW de Renato Pereira e Bernd Tuxhorn. Mac Porteiro também disparou da nona para a sexta colocação, porém não se via nada na pista, carros piscando, e na primeira curva acabou levando um leve toque de Ernesto Brock, caindo para a última posição. Pouco depois de 6 ultrapassagens, o piloto da Apple rodou sozinho e abandonou, algo que seu companheiro de equipe, Pereira, já havia feito pouco antes.
Jogo dos sete erros: qual carro não está indo na direção correta?
Petry ganhou a liderança que era de Tuxhorn algumas voltas depois, enquanto Monteiro já começava a ter esperanças da sua segunda vitória, pois suas voltas eram bem mais rápidas que as dos demais pilotos. A tarefa não era fácil: Lacerda e Zaccaro estavam andando muito bem, mostrando que já tinham total controle do carro para a corrida. Nunes e Souza também seriam adversários difíceis, sem contar que Reges Filho e Carlos Schmitt podiam chegar a qualquer momento - ou até errar uma freada.
No pelotão de fundo, Francisco Amaral, Luis Mesquita e Rogério de Oliveira eram seguidos de perto por Plinio Ferreira. Johannes Milchert tentava se aproximar dos carros intermediários, só que Vinícius Gonçalves tinha o mesmo desejo. Muitos toques foram acontecendo ao longo da corrida, ninguém querendo ficar para trás. Que o diga Wilson Neto, quase acertando Ronie Pereira quando este errou uma das curvas. Pouco tempo depois, Douglas Santana se envolveu em um acidente com Ronie e Reges, e algumas voltas depois Gonçalves se enroscou com um Alfa, quase caindo para último.
Os acidentes iam acontecendo do meio para trás, ao mesmo tempo que Petry fazia de tudo para segurar Monteiro. Era inevitável: o piloto da Ghost acabou passando e vencendo a segunda corrida também, 4 segundos à frente de Petry. Nunes foi o terceiro, comemorando o pódio da Thunderbolt. Em quarto, Ernesto Brock, com Bernd Tuxhorn em um ótimo quinto posto, seguido de Rafael Zaccaro e Luciano Souza. Johannes Milchert foi o oitavo.
Souza era o sétimo quando rodou na última curva, e em sétimo terminou. Não sem uma forte batida com Rodrigo Lacerda, que seria oitavo, porém não teve como evitar o Alfa Romeo atravessado. No acidente, Lacerda caiu para décimo, sendo ultrapassado por Milchert e Mesquita, o nono lugar em mais uma ótima corrida dos Honda. Ronie foi o melhor Pereira da segunda corrida, terminando em 11º a apenas 30 centímetros de passar Lacerda, seguido de Reges Filho, Rogério de Oliveira e Francisco Amaral, pressionando no final, mas não o suficiente para melhorar a 14ª posição. Atrás do baguete vieram Gonçalves e Marcus, na Guerra dos Vinícius, 25 centésimos de segundo separando os pilotos.
Monteiro já estava cansado de comemorar sua vitória, mas ainda faltavam Wilson Neto para passar em décimo-sétimo e Carlos Schmitt sendo o último a cruzar a faixa final. Douglas Santana foi o décimo-nono com duas voltas perdidas, e Plinio Ferreira abandonou com seu BMW atolado na brita. Espantosos 43 pontos para o piloto da Ghost Racers, em um importante passo na disputa pelo título desta temporada. Sendo o segundo nas duas provas, Petry segue na liderança com 105 pontos, 3 a mais que o ganhador de A1 Ring. Brock caiu para terceiro com 97. A Skyline continua líder com 142 pontos, contra 127 da Thunderbolt e 104 da Ghost.
Próximo domingo será dia de fado. Todos rumo ao circuito da Boavista, no bairro litorâneo da cidade do Porto. O primeiro temor do dia, sem dúvida, será a "bus stop" portuguesa, onde só passa um carro de cada vez (!). Já o segundo temor foi bem lembrado por Vinícius Gonçalves em entrevista após a corrida:
- Tentarei largar o máximo possível na frente. Ficar atrás vai ser problemático porque não há por onde passar em caso de acidente. Mas meu medo está na largada, já que os semáforos portugueses não funcionam e teremos que ficar atentos ao cronômetro da prova para a largada.
Então é isso, em Portugal é olho no relógio, ou vamos ter engavetamento com 2 segundos de corrida. E antes de terminar, uma última notícia: a corrida de Laguna Seca foi cancelada. Em seu lugar, entrará Suzuka ou Macau.
Outras informações a qualquer momento. Até mais!
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